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quarta-feira, 1 de julho de 2009

A MULHER INVISÍVEL

- NOTA: 6,0
Cláudio Torres já demonstrava interesse em temas complexos em seu filme de estréia “Redentor” que, apesar de ousado, atirava para todos os lados e não dizia a que veio. Já em “A Mulher Invisível”, o roteirista/diretor se contentou com menos, bem menos, talvez pouco demais.
ESPAÇO
Apostando na fantasia, que está em alta no cinema nacional desde a franquia de sucesso “Se eu fosse você”, Torres conta a história de Pedro (Selton Melo), que em depressão após o pé na bunda que levou da esposa, começa a namorar Amanda (Piovani), que entende de futebol, não reclama de bagunça e aceita traição, ou seja, é perfeita. A ironia é que só ele consegue vê-la. A ideia é poética e não se apóia em explicações místicas como em “Se eu fosse você”. Pode ser encarada como uma representação metafórica da idealização do parceiro ou meramente justificada como um surto mental de um homem deprimido. Mas se situações absurdas são comuns a qualquer mente humana, faltou realidade para que A Mulher Invisível fosse um filme excelente.
ESPAÇO
Torres se entrega a situações artificiais e personagens unidimensais, e o próprio Selton Melo, por várias vezes brilhante no recente cinema nacional, abusa de sua certeza de que sabe fazer rir, mas como ator, não como personagem. Não conseguimos conhecer Pedro, que reage às situações como um excelente comediante, mas nunca como um ser humano realmente complexo. Pra piorar, Torres gasta tempo demais tentando nos fazer rir e pouco para elaborar a relação de amor que fecha a narrativa, soando extremamente superficial. Num filme que se propõe a elucubrar sobre a descoberta do amor próprio, é grave que apenas uma noite de sexo baste para que Pedro encontre o amor da sua vida. Ainda assim, vá conferir. Fernanda Torres, a melhor atriz de comédia do país se faz visível até como figurante.


INDICATO PARA quem você gosta do Selton Melo.

CONTRA-INDICADO PARA quem não gosta de forçadas de barra.

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O EXTERMINADOR DO FUTURO, A SALVAÇÃO

- NOTA: 7,5

A franquia de sucesso “O Exterminador do Futuro” nunca se preocupou em aprofundar suas reflexões sobre o impacto do mau uso tecnológico na vida humana. O que não é problema algum já que a série se assume como entretenimento. E dos bons (A filosofia fica por conta de Matrix). Só que a cada “I’ll be back” de Arnold Schwarzenegger, crescia a expectativa de um futuro devastador que até então só víamos nos pesadelos de Sarah Connor. E esta sequência “O Exterminador do Futuro: A Salvação” não cumpre a profecia.

Ação de tirar o fôlego, efeitos impressionantes e orçamento nas alturas: está tudo lá. Mas o filme que finalmente traria à tona o juízo final ensaiado nos seus antecessores, não justifica, não surpreende e tão pouco marca a série, somando-se ao também morno “O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas” como mais uma oportunidade de encher os bolsos dos produtores, enquanto o capítulo final não vem (A Warner já confirmou a produção do 5º filme). Li numa entrevista que McG, diretor do longa, quis realizar um filme que despertasse as mesmas sensações que ele havia experimentado em “O Exterminador do Futuro 2”, vencedor de 4 Oscars e que por sinal é excelente. Passou longe.

Esta sequência traz John Connor adulto (Christian Bale), liderando a resistência humana num mundo já destruído pelo domínio das máquinas (que parecem inclusive, ter escrito o roteiro). Sem tempo para apresentar os personagens, o filme não permite que criemos afeição por eles, o que é grave quando o único que conhecemos é Connor, num rosto diferente e interpretado de maneira mecânica por Christian Bale, que só se põe a esbravejar e fazer cara de mau. A grata surpresa é Sam Worthington (Marcus Wright), personagem que abre o longa sofrendo pena-de-morte no nosso tempo, e acordando anos depois no mundo pós-apocalipse. Com uma atuação interessante, Wright não consegue fazer milagre já que roteiro e direção ofendem a inteligência do espectador ao dar uma importância exagerada para uma “revelação” que se faz previsível desde os primeiros minutos. Wright cumpre a missão que antes era de Schwarzenegger: despertar a compaixão que nos diferencia das máquinas. Mas aí reside o problema. Numa tentativa de aprofundar o tema máquina x homem, o filme fica no raso de suas convicções com a frase tema: “o que nos diferencia é a força do coração”. A frase é uma verdade e fecharia bem o filme se ele realmente desenvolvesse essa idéia em suas duas horas de projeção e não a usasse apenas como um epitáfio.

A proposta de mostrar o que de máquina tem em nós e o que de humano pode ter numa máquina é interessante, mas fica a restrita a episódios isolados como na cena em que vemos uma tentativa de estupro entre humanos. Lotado de narrações para completar o que as ações não conseguiram traduzir, “O Exterminador do Futuro – A Salvação” serve aos fãs da série como um último gole que pede uma saideira. E por isso, torço para que na próxima vez, a série ganhe o fechamento devastador que merece.


INDICATO PARA: quem gosta de surpresas visuais.

CONTRA-INDICADO PARA: quem não gosta de roteiros previsíveis.


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nicolas Cage no elenco: um mau "Presságio"?

Felizmente não. Presságio, que estreou em Abril desse ano, traz todos os ingredientes de uma obra apocalíptica: suspense, medo, ação e moral. Só que dessa vez, não economizou em coragem. Dirigido com segurança por Alex Proyas (Cidade das Sombras), o filme começa com ares de terror clichê ao personificar o mistério em uma criança (O Iluminado, A Profecia), que num trabalho de colégio deveria fazer um desenho mostrando como imaginava o mundo dali a 50 anos. Aparentemente possuída, Lucinda só escreve números e quando impedida de continuar, arranha os números faltantes numa porta, até sangrar. Estes desenhos são guardados numa urna do tempo que meio século depois é aberta.
ESPAÇO

A carta de Lucinda vai parar nas mãos de Caleb, filho do professor de astrofísica John Koestler (Cage). Pulando a fase do ceticismo, que já não funciona para o público em filmes desse tipo, John e sua curiosidade científica encontram rapidamente um significado para o amontoado de números: são datas, horários, latitudes, longitudes e número de vítimas das maiores tragédias da humanidade nas últimas décadas. E o mais assustador: três dessas datas ainda estão por vir.


ESPAÇO

Sem a histeria heróica naturalmente americana, Cage acha o tom certo entre pavor e curiosidade, natural de qualquer ser humano consciente em uma situação como essa. E quando percebe que seu filho está diretamente envolvido no mistério, já que está sendo perseguido por estranhos homens de preto, a busca por explicações ganha fôlego de thriller que em nada vai desapontar os espectadores mais lineares. Digo isso, porque apesar de suas chocantes cenas de ação e suspense (o acidente de avião é algo incrível e aterrorizante), Presságio vai muito mais fundo na questão da fé, sem no entanto, tentar catequizar ninguém. E é isso que o torna diferente de tantos outros filmes que navegaram no raso de suas convicções.

ESPAÇO

O pensamento humano é linear, ou seja, precisa de começo, meio e fim. E quando nos deparamos com algo além de nossa compreensão, o instinto de auto-preservação é automático. Questionamos, duvidamos e lutamos até o fim para protegermos a nós mesmos e a quem amamos. Em Presságio não é diferente. Durante duas horas, o raciocínio do filme e do protagonista acompanha o nosso, que só queremos entender o que está acontecendo. E só quando somos tomados pela frustração de que o fim será inevitável, é que nos abrimos para a redenção, como aquela que um dia experimentaremos em nossa última unção. Presságio é corajoso ao estabelecer esta nova relação entre fim e recomeço, (assim como o surreal Fonte da Vida), deixar o egocentrismo antropocêntrico de lado e abrir uma reflexão profunda sobre a nossa real importância. Uma cena em particular, representa bem esta intenção. Ao seqüestrar as crianças, os “homens de preto” deixam pedras no lugar, como uma moeda de troca e uma clara relação entre o nosso valor e o de qualquer outro elemento da natureza, mesmo os que para nós, pareçam sem vida. É com esse gostinho amargo que saímos do cinema, mas que, como qualquer remédio, vem com a missão de curar nosso individualismo e nos preparar para tempos difíceis que, eu creio, estão por vir. Até nesse momento, será preciso manter a Fé, e acreditar que (repetindo as palavras que Caleb diz para seu pai): Tudo vai ficar bem.
ESPAÇO


PRESSÁGIO. Nota: 9,0
ESPAÇO

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sexta-feira, 27 de março de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA: 9,5

Assisti ao filme há pelo menos três semanas. Mas não encontrava tempo pra argumentar à altura das críticas que em geral, estão bem duras. “Maniqueísta, oportunista, apelativo à estética da pobreza, esquemático, plágio de Cidade de Deus”...são algumas coisas que li mesmo entre meus críticos favoritos.

Inácio Araújo, crítico e blogueiro do UOL Cinema faz uma pergunta em seu blog: Por que as pessoas saem do cinema no meio do filme? E responde: “…a pessoa sai do cinema por duas razões: ou porque o repertório lhe parece muito batido ou porque ele se sente perdido diante do que vê. São espectadores diferentes. Fazendo uma comparação provavelmente ruim, eu disse que quem só ouve pagode, quando escuta Beethoven aquilo lhe parece inaudível. Do mesmo modo, quem escuta Beethoven o tempo todo não vê no pagode senão cacofonia.(…) Me parece que, hoje, o cinema tornou-se uma diversão de fim de semana. Quem vai, depois de apanhar de segunda a sexta, quer um pouco de sossego, quer encontrar coisas estabelecidas, espiões que espionam, vilões que fazem vilanias, etc. e tal. Então, quando a pessoa cai diante de um filme do Laurent Cantet, do Kiarostami, do Oliveira, do Godard, enfim.., ela não admite que, às vezes, é preciso um pouco de sacrifício para gostar de uma coisa. (…) Acrescente-se ainda: hoje a crítica está desmoralizada (vamos falar disso outro dia). Para que servem os críticos? Para nada: o que conta na distribuição do filme é a publicidade (sempre foi assim, mas antes havia certa convivência).

Ótima resposta. Mas e se invertermos esta flecha? Os quatro últimos vencedores do Oscar de Melhor Filme: Onde os fracos não tem vez, Os Infiltrados, Crash e Menina de Ouro exploravam a angústia e o questionamento individual dos personagens, provocando fortes e desgastantes viagens internas. Coincidência ou não, nenhum deles se rendeu a um final literalmente feliz. Listei estes filmes apenas como representantes “oscarizados” de uma tendência que exige mais dos espectadores e por isso, agrada à crítica. Agrada e a acostuma. Porque bastou que uma fábula onde tudo dá certo no final conquistasse o mundo para que toda sorte de opiniões vociferasse contra “Quem quer ser um milionário?”. A questão é que adorei o filme. Terminei a sessão com um sorriso estampado no rosto e o coração cheio de esperança. Parece piegas? E desde quando angústia, revolta e desconforto são sentimentos mais nobres? Sem dúvida são importantes, motivam a mudança de comportamento. Mas parecem condicionantes para que os críticos aceitem e indiquem um filme. Estão viciados. “Quem quer ser um milionário” causa uma revolução ao conquistar prêmios por onde passou e abrir as portas novamente para o final feliz.
ESPAÇO
Jamal Malik (Dev Patel) tem 18 anos de idade, vem de uma família das favelas de Mumbai, Índia, e está prestes a experimentar um dos dias mais importantes de sua vida. Visto por toda a população indiana, Jamal está a apenas uma pergunta de conquistar o prêmio de 20 milhões de rupias numa espécie de versão indiana do Show do Milhão. No entanto, no auge do programa, a polícia o prende por suspeita de fraude.

Numa tentativa de provar a sua inocência, Jamal conta aos policiais sua difícil vida nas ruas, as aventuras com o seu irmão, e o seu seu amor perdido, Latika. As perguntas mais importantes são: "O que faz um rapaz sem interesse no dinheiro num concurso televisivo? E como ele sabe todas as respostas?"

Com as lições que a vida lhe deu. Num esquema às vezes cansativo em que cada pergunta do programa vem seguida de um flashback com a vida de Jamal, algum detalhe guardado na memória sempre lhe dá resposta. Parece forçado? Mas seria impossível não se lembrar da morte da mãe, a orfandade, o sectarismo religioso, a exploração de menores, o crime organizado, a distância do amor, e até um mergulho numa fossa nojenta (desculpe, mas eu prefiro enfrentar os outros problemas).

É esta relação de sofrimento x recompensa que torna o filme tão prazeroso. Contra cada experiência dolorosa, Jamal merece mais alguns milhares de rúpias, e mais uma chance de ficar com sua amada. É para ser visto por ela que ele está no programa. E na tentativa de convencer o policial, ele (o roteiro) tenta nos convencer de que aquilo é possível. Pra alguns pode não ser, mas basta um pouquinho de esforço, o mesmo que os críticos exigem para um diretor Kustuwriqweri da vida, e aceitaremos o improvável, já que na vida “real”, as experiências mais inesquecíveis são exatamente assim.

PS: (não leia se não viu o filme) A dramaturgia insiste em temas onde a felicidade não pode ser plena e sempre temos que fazer escolhas e sacrifícios. “Quem quer ser um milionário?” parecia caminhar justamente pra isso e confesso que se pra ficar com Latika, Jamal tivesse que perder o dinheiro, minha opinião teria sido bem diferente. Resultado? Ele ganha os milhões, ganha a garota e ainda nos deixa “felizes para sempre”. Pelo menos até um próximo Totsqwelkrjqewlk da vida.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

DE 0,0 A 10,0

Continuando o registro dos filmes (meu caderninho está lotado), segue a relação de todos os anotados desde 2005. Esta lista está longe de estar completa ou de ser definitiva, só tem os filmes que assisti ou reassisti nesse período por oportunidade, motivação ou estado de espírito no momento.

Em tempo, não sou crítico, mas sim um amante de cinema. Portanto, minhas notas não valem nada a não ser pra mim mesmo. Mas se quiser apostar, bom filme.


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DE 10 A 8,5

10,0 – A Lista de Schindler
10,0 – 2001 – Uma odisséia no espaço
10,0 - Pulp Fiction – Tempo de violência
10,0 – Fale com ela
10,0 – Tudo sobre minha mãe
10,0 – Irreversível
10,0 – Oldboy
10,0 – Onde os fracos não têm vez
10,0 – Pequena Miss Sunshine
10,0 – O fabuloso destino de Amelié Poulain
10,0 – Forrest Gump – O contador de histórias
10,0 – O Sexto Sentido
10,0 – O mágico de Oz
10,0 – E.T. – O extraterrestre
10,0 – Laranja Mecânica
10,0 - Matrix
10,0 – Má educação
10,0 – As bicicletas de Belleville
10,0 – Taxi Driver
10,0 – Ratatouille
10,0 – Wall.E
10,0 – Shrek I e II
10,0 – Na Natureza Selvagem
10,0 – O Grande Truque
9,5 – A Fonte da Vida
9,5 – Batman – O cavaleiro das trevas
9,5 – Batman Begins
9,5 – O Show de Truman
9,5 - Volver
9,5 – Pecados Íntimos
9,5 – O Labirinto do Fauno
9,5 – Desejo e Reparação
9,5 – A vida dos outros
9,5 - Munique
9,5 – The Corporation (Documentário)
9,5 – Kill Bill (Volumes I eII)
9,5 – Syriana
9,5 - Capote
9,5 – Os Infiltrados
9,5 – Vôo 93
9,5 - Meninos não choram
9,5 – Mar adentro
9,5 – O Paciente inglês
9,0 – Bonequinha de luxo
9,0 - Ensaio sobre a cegueira
9,0 - Juno
9,0 – A malvada
9,0 – Factory Girl
9,0 – A Criança
9,0 – O Iluminado
9,0 – O Cheiro do Ralo
9,0 – Tropa de Elite
9,0 – Filhos da Esperança
9,0 – Casa de Areia
9,0 – Match Point
9,0 – Uma verdade inconveniente
9,0 – Sin City
9,0 – O Lenhador
9,0 - O Segredo de Brokeback Mountain
9,0 - Crash – No limite
9,0 – O ano em que meus pais saíram de férias
9,0 – Longe do Paraíso
9,0 – Obrigado por Fumar
9,0 - O Jardineiro Fiel
9,0 – A princesa e o plebeu
9,0 - X-Men I, II e III
9,0 - Hotel Ruanda
9,0 - A Noiva Cadáver
9,0 – Quero ser John Malkovich
9,0 – Harry Potter e a Ordem da Fênix
9,0 – O Orfanato
9,0 – Notas sobre um escândalo
8,5 – Filhos da Guerra
8,5 – O segredo de Vera Drake
8,5 – A Marcha dos Pinguins
8,5 - Zodíaco
8,5 - Perfume
8,5 - Transamérica
8,5 – Flores partidas
8,5 – Diamante de Sangue
8,5 – A procura da felicidade
8,5 - Três enterros
8,5 - Borat
8,5 - 300
8,5 - Água Negra
8,5 - Sideways – Entre umas e outras
8,5 – O júri
8,5 – O destino de Poseidon
8,5 - Uma lição de amor
8,5 - Feios, sujos e malvados
8,5 - Lutero
8,5 – Abismo do Medo
8,5 – A Casa Monstro
8,5 – Os melhores dias de nossas vidas
8,5 - Em boa companhia
8,5 – Separados pelo casamento
8,5 – Quiz Show
8,5 – Babel
8,5 – O Bom Pastor
8,5 - Orgulho e Preconceito
8,5 – O Plano Perfeito
8,5 – Jogos Mortais
8,5 – A Bruxa de Blair
8,5 – O Guia do Mochileiro das Galáxias
8,5 – Extermínio
8,5 – Jerry Maguire
8,5 – Rocky Balboa
8,5 – Antônia
8,5 – Stardust
8,5 – Maria Antonieta
8,5 – Encantada
8,5 – Piaf
8,5 – Homem de Ferro
8,5 – REC
8,5 – Johnny e June
8,5 – Pacto Maldito
8,5 - Cloverfield


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DE 8,5 A 7,0

8,5 – O Caçador de Pipas
8,5 – Carros
8,5 – Mais estranho que a ficção
8,5 – A última cartada
8,5 – Duro de Matar IV
8,5 – O Procurado
8,5 - Futurama
8,0 – Saneamento básico
8,0 – Conduta de Risco
8,0 - Sunshine
8,0 – Vênus
8,0 – Letra e Música
8,0 – A soma de todos os medos
8,0 – Deu a Louca na Chapeuzinho
8,0 – A Prova
8,0 – O Tempero da Vida
8,0 – Homem-aranha III
8,0 – Cubo
8,0 – Terror em Silent Hill
8,0 – A Sangue Frio
8,0 - Wolf Creek – Viagem para o inferno
8,0 - Uma vida iluminada
8,0 – A Encantadora de Baleias
8,0 – O Elo perdido
7,5 – Cold Mountain
7,5 – Se eu fosse você 2
7,5 – Vanilla Sky
7,5 – Eu sou a lenda
7,5 - Sex and the City - o filme
7,5 – Hellboy – E o exército dourado
7,5 – A outra
7,5 – Meu nome não é Johnny
7,5 – Super Size me
7,5 - Hancock
7,5 – Shrek Terceiro
7,5 – Máfia no divã
7,5 – Fuga de Alcatraz
7,5 - O Senhor das Armas
7,5 – Legalmente loira
7,5 – Admirável mundo novo
7,5 – África dos meus sonhos
7,5 - A Chave Mestra
7,5 – 13º andar
7,5 – Voz do Coração
7,5 – Retratos de uma obsessão
7,5 – Spirit
7,5 – Ponte para Terabítia
7,5 – Astérix e os Vikings
7,5 – Paranóia
7,5 – A Bússola de Ouro
7,0 – Nem que a vaca tussa
7,0 – Madagascar II
7,0 - Cão de Briga
7,0 – S.W.A.T
7,0 – Marcas da Violência
7,0 – Lucas – Um intruso no formigueiro
7,0 – Kung Fu Panda
7,0 - Piratas do Caribe III – No fim do mundo
7,0 – Simpsons – O filme
7,0 – Ligeiramente grávidos
7,0 – O Preço da Coragem

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DE 7,0 A 5,5


7,0 – As crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian
7,0 – A Família do Futuro
7,0 – Click
7,0 – A Casa do Lago
7,0 – A Passagem
7,0 – Roubando vidas
7,0 – Zathura
7,0 – Falsária
7,0 – O melhor verão de nossas vidas
7,0 - Missão Impossível III
7,0 – V de Vingança
7,0 - Ken Park
7,0 – Madagascar
7,0 – Viagem Maldita
7,0 - O Exorcismo de Emily Rose
7,0 – Tudo em família
7,0 – Hannibal Rising
6,5 – Superman returns
6,5 – A última aposta
6,5 – Poder além da vida
6,5 – Arthur e os Minimoys
6,5 – Quarteto Fantástico
6,5 – Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado
6,5 - 1408
6,5 – Memórias de uma gueixa
6,5 – Tudo pela Fama
6,5 – Os sem-floresta
6,5 - No extremo da loucura
6,5 - As crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
6,5 – Scoop, o grande furo
6,5 – Terra Fria
6,5 – Crianças Invisíveis
6,5 – Escuridão
6,5 – Os Invasores
6,5 – O Ilusionista
6,5 – Leões e Cordeiros
6,5 – Apocalypto
6,5 – Reféns do mal
6,0 – A colheita do mal
6,0 – A volta do Todo-Poderoso
6,0 – Antes só do que mal casado
6,0 – Fica comigo esta noite
6,0 – Premonições
6,0 – Quebrando a banca
6,0 – Jogos de amor em Las Vegas
6,0 - Poseidon
6,0 – Honra e Liberdade
6,0 – Ligado em você
6,0 – Procura-se um amor que goste de cachorros
6,0 - A lenda do tesouro perdido
6,0 - Se eu fosse você
6,0 – Agente 86
6,0 – Premonição
6,0 – Dreamgirls
6,0 - Selvagem
6,0 – As Torres Gêmeas
6,0 – A outra face da raiva


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DE 5,5 A 4,0

5,5 – Eragon
5,5 – 10.000 A.C.
5, 5 – Número 23
5,5 - Os Produtores
5,5 – Os Mensageiros
5,0 – A estranha perfeita
5,0 – Sangue e Chocolate
5,0 – Transformers
5,0 - A Terra Encantada de Gaya
5,0 – Jogos Mortais III
5,0 – Mamma Mia
5,0 – Bee Movie
4,5 – Vôo Noturno
4,5 – O Senhor dos Ladrões
4,5 – O Núcleo
4,5 - O Código Da Vinci
4,5 – O som do coração


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DE 4,0 A 0,0

4,0 – Valiant
4,0 – Um amor de tesouro
4,0 – O Contrato
4,0 – Múmia III
4,0 – Minha mãe quer que eu case
4,0 – Entrando numa fria maior ainda
3,0 – Bezerra de Menezes
3,0 – Trair e coçar é só começar
3,0 - Mulheres perfeitas
3,0 - Os irmãos Grimm
3,0 – De volta à casa da colina
3,0 – Cry Wolf – Jogo da Mentira
2,0 - Turistas
2,0 – O Albergue
2,0 - Caçadores de Mentes
2,0 – Jogos Mortais II
2,0 – Terra Rasa
1,0 - D.E.B.S
1,0 - A Profecia
1,0 – Os Especiais
1,0 – Stay Alive
1,0 – Espelhos do Medo

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SESSÃO "QUE VIAGEM"


Planeta Terror

Sonhando acordado

Feed – Fome assassina

Videodrome

Holocausto Canibal

Altered States

Otis -O Ninfomaníaco

Rejeitados pelo Diabo

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ENQUANTO NÃO ESTRÉIA...

O Oscar já está batendo à nossa porta e grande parte de sua lista de indicados ainda não chegou aos cinemas brasileiros (Pelo menos aos cinemas do interior, que é de onde vos falo). Todo ano é a mesma história. Assistimos aos filmes já influenciados pela crítica e pela máquina das premiações. É isso ou baixar arquivos de qualidade duvidosa e por consequência, de avaliação duvidosa. Eu sou da época em que bons filmes devem ser vistos no cinema, com pipoca, chocolate da Americanas, e no poltrona do meio (é o melhor lugar). Esse ano, consegui ver poucos dos indicados aos principais prêmios. E pra piorar, tudo indica que a Globo não vai transmitir a festa ao vivo, por conta do Carnaval. Abaixo, os que vi e a lista completa dos indicados ao Oscar 2009.





O curioso caso de Benjamin Button – Nota: 8,0
13 Indicações: Melhor Filme, Melhor diretor (David Fincher), Melhor ator (Brad Pitt), Melhor atriz coadjuvante (Taraji P. Henson), Melhor roteiro adaptado, Melhor direção de arte, Melhor fotografia, Melhor mixagem de som, Melhor trilha original, Melhor figurino, Melhor edição, Melhores efeitos especiais, Melhor maquiagem.





Batman – O cavaleiro das trevasNota: 9,5
8 Indicações: Melhor ator Coadjuvante (Heath Ledger), Melhor direção de arte, Melhor fotografia, Melhor mixagem de som, Melhor edição de som, Melhor edição, Melhores efeitos especiais, Melhor maquiagem.





Wall-E – Nota: 10,0
6 Indicações: Melhor longa de animação, Melhor Roteiro Original, Melhor mixagem de som, Melhor edição de som, Melhor trilha original, Melhor canção original.






Procurado - Nota: 7,5
2 Indicações: Melhor mixagem de som, Melhor edição de som.





Homem de Ferro – Nota: 8,5
2 Indicações: Melhor edição de som, Melhores efeitos especiais.





Vicky Cristina Barcelona – Nota: 9,0
1 indicação: Melhor atriz (Penélope Cruz)



Hellboy II – O Exército Dourado – Nota: 7,5
1 Indicação: Melhor maquiagem.


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TODOS OS INDICADOS

Melhor filme:
- “Quem quer ser um milionário?”
- “Frost/Nixon”
- "O curioso caso de Benjamin Button”
- “Milk - A voz da liberdade”
- “The reader”
Melhor diretor:
- Danny Boyle - “Quem quer ser um milionário?”
- Ron Howard - “Frost/Nixon”
- David Fincher - “O curioso caso de Benjamin Button”
- Gus Van Sant - “Milk - A voz da liberdade”
- Stephen Daldry - "The reader"
Melhor ator:
- Mickey Rourke - “The wrestler”
- Sean Penn “Milk - A voz da liberdade”
- Frank Langella – “Frost/Nixon”
- Brad Pitt - "O curioso caso de Benjamin Button"
- Richard Jenkins - "The visitor
Melhor atriz:
- Meryl Streep – “Doubt"
- Kate Winslet – “The reader”
- Anne Hathaway – “O casamento de Rachel”
- Angelina Jolie – “A troca”
- Melissa Leo - "Frozen river"
Melhor ator coadjuvante:
- Heath Ledger - “Batman – O cavaleiro das trevas”
- Josh Brolin - "Milk - A voz da liberdade"
- Robert Downey Jr. - "Trovão tropical"
- Philip Seymour Hoffman - "Doubt"
- Michael Shannon - "Revolutionary road"
Melhor atriz coadjuvante:
- Amy Adams - "Doubt"
- Penélope Cruz - "Vicky Cristina Barcelona"
- Viola Davis - "Doubt"
- Taraji P. Henson - "O curioso caso de Benjamin Button"
- Marisa Tomei - "The wrestler"
Melhor longa de animação:
- “Wall.E”
- “Kung Fu Panda”
- “Bolt – Supercão”
Melhor filme em língua estrangeira:
-"Revanche", de Gotz Spielmann (Áustria)
- "The class", de Laurent Cantet (França)
- "The Baader Meinhof Complex", de Uli Edel (Alemanha)
- "Waltz with Bashir", de Ari Folman (Israel)
- "Departures", de Yojiro Takita (Japão)
Melhor roteiro original:
- “Frozen river”
- “Na mira do chefe”
- “Wall.E”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Happy-go-lucky”
Melhor roteiro adaptado:
- “O caso curioso de Benjamin Button”
- “Doubt”
- “Frost/Nixon”
- “The reader”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor direção de arte:
- “A troca”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “A duquesa”
- “Revolutionary road”
Melhor fotografia:
- “A troca”
-“O curioso caso de Benjamin Button”
- “The reader”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor mixagem de som:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Quem quer ser um milionário?”
- “Wall.E”
- “Procurado”
Melhor edição de som:
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Homem de Ferro”
- “Wall.E”
- “Procurado”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhor trilha sonora original:
- Alexandre Desplat - “O curioso caso de Benjamin Button”
- James Newton Howard – “Defiance”
- Danny Elfman – “Milk – A voz da liberdade”
- Thomas Newman – “Wall.E”
- A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor canção original:
- “Down to Earth”, de Peter Gabriel and Thomas Newman - “Wall.E”
- “Jai Ho” de A.R. Rahman – “Quem quer ser um milionário?”
- “O Saya”, de A.R. Rahman e Maya Arulpragasam – “Quem quer ser um milionário?”
Melhor figurino:
- “Austrália”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “A duquesa”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Revolutionary road”
Melhor documentário de longa-metragem:
- “The betrayal”
- “Encounters at the end of the world”
- “The garden”
- “Man on wire”
- “Trouble the water”
Melhor documentário de curta-metragem:
- “The conscience of Nhem En”
- “The final inch”
- “Smile Pinki”
- “The witness - From the balcony of room 306”
Melhor edição:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- “Frost/Nixon”
- “Milk – A voz da liberdade”
- “Quem quer ser um milionário?”
Melhores efeitos especiais:
- “Batman - O cavaleiro das trevas”
- “Homem de Ferro”
- “O curioso caso de Benjamin Button”
Melhor maquiagem:
- “O curioso caso de Benjamin Button”
- “Batman – O cavaleiro das trevas”
- "Hellboy II – O exército dourado”
Melhor animação de curta-metragem:
- “La maison en petits cubes”
- “Lavatory - Lovestory”
- “Oktapodi”
- “Presto”
- “This Way Up”
Melhor curta-metragem:
- “Auf der strecke (On the Line)”
- “Manon on the asphalt”
- “New Boy”
- “The Pig”
- “Spielzeugland (Toyland)”

PREFIRO NÃO OLHAR

Há alguns anos, comecei, pretensiosamente, a dar notas pra filmes. Vi aquele espacinho no nick do MSN dando sopa, e pronto, as notas foram parar lá. O espaço ficou pequeno e de vez em quando postava umas resenhas no orkut. Hoje, devo ter uns 350 filmes registrados num bloco de notas jogado na minha escrivaninha e algumas críticas esquecidas em "Meus documentos". Pensava numa forma decente de guardá-los, mas vivia deixando pra depois. Bom, por enquanto esse espaço vai servir. Tem uma sugestão melhor? Depois eu olho. Meu chefe tá aqui perto.


Começo os trabalhos com um desabafo sobre "Tropa de Elite", o filme que virou fenômeno, mas pelos motivos errados.
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Tropa de Elite- Nota: 9,0
Há alguns meses, o assalto que levou um Rolex do apresentador Luciano Huck causou um alvoroço na opinião pública. Mas não foi exatamente o assalto o motivo da falação, e sim a reação da “vítima”. Luciano publicou uma carta na Folha de São Paulo em que se dizia “envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38, e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio”. Bastou pra que blogueiros, intelectuais e toda sorte de opiniões atacassem a visão reducionista de alguém que não conhece nada da real violência ou defendessem o direito de um cidadão manifestar-se contra qualquer tipo desta.

Como publicado na revista “Época” desta semana, isto revela um pouco sobre a complexidade da alma brasileira frente à violência. Nas antologias do folhetim, a separação entre bem e mal era clara e de que lado ficar também. Mas já se foi o tempo em que bandido roubava e mocinho prendia. Estamos confusos. Num sistema ideal, sujeito que infringe a lei deve ser preso por uma polícia honesta, julgado por um sistema ágil, baseado em um código penal coerente e se condenado, reabilitar-se numa prisão modelo para voltar à sociedade que o espera de braços abertos. Não temos nenhuma dessas coisas e a sociedade já não sabe mais de que lado ficar. Não sabemos mais com o que nos identificar. A causa e efeito é uma rede vasta de opiniões que nos deixa cada vez mais na dúvida sobre o que é certo ou errado. “A polícia ganha pouco! Policial não presta! Traficante tem que morrer! Crime é falta de oportunidade! Pela liberação das drogas! O problema é federal! O problema é carioca! O problema é seu! Eu não tenho nada com isso!” Ninguém tem nada com isso até que tem seu Rolex roubado. Ninguém tem nada com isso porque nos acostumamos a delegar responsabilidades. Foi assim com a Igreja perdoando nossos pecados, com os pais dizendo o que podemos ou não fazer, com o Estado cuidando da educação, saúde e alimentação de nossas crianças, e a polícia pra nos proteger. E quando essas necessidades básicas não são atendidas, nos apegamos a qualquer um que faça por nós, que demonstre coragem ou que exploda em revolta como gostaríamos de fazer. Durante a ditadura militar, a simpatia por personagens infratores era marca da música popular brasileira. Os compositores enxergaram o contraventor como um aliado. Chico Buarque, Jorge Ben, Raul Seixas, Bezerra da Silva exaltaram como heróis os batedores de carteira, meninos de rua, ladrões, cangaceiros e até assassinos em obras como Ópera do Malandro, Meu Guri, Chame o Ladrão, Charles Anjo 45, Al Capone, Defunto Caguete, entre outras. O papel desses personagens era provocar a ira de quem provocava a nossa. E se antes a elite cultural cumpria tal papel, essa confusão de sentimentos e percepções abriu espaço pra que a periferia soltasse a voz através de representantes como Racionais MC’s, e Facção Central, com as mais transgressoras apologias. Malandro já foi ídolo, mas hoje, o ídolo é o Capitão Nascimento.

Tropa de Elite não é fenômeno por causa do saco, mas porque trouxe duas horas de regozijo pra quem anda tão perdido. Com um roteiro amplo e por isso, difícil, José Padilha explora as várias nuances do problema violência e sua complexidade, sem querer definir solução isolada. Porque não há. Como disse acima, estamos confusos. Queremos que a polícia prenda os ladrões, mas as ONG’s do morro não querem que ela os machuque, a classe média doa para o “Criança Esperança” na fé de que aquelas crianças não roubem seu carro no futuro e os playboys que fazem passeata contra a violência são os mesmos que compram maconha e sustentam o tráfico. Tropa de Elite é a representação do caos entre o certo e o errado que a luta pela “paz” gerou. Só que não falo do caos social e sim, do caos pessoal. A angústia que todo brasileiro sente nessa insustentável situação está representada no Capitão Nascimento (Wagner Moura). Se fosse mais um personagem, se fosse só mais um zero dois ou zero cinco, provavelmente sentiríamos repulsa pela crueldade e abuso de poder que acompanham sua narrativa. E é engraçado perceber que é exatamente isso que sentimos por outros policiais que só vemos agindo. Com o Capitão Nascimento é diferente. Resultado de um trabalho brilhante do texto e de Wagner Moura que imprimiu humanidade a um personagem frio, aproximando-o do público, sabemos o que ele está sentindo. Capitão do BOPE, com a mulher grávida de nove meses e síndrome do pânico, Nascimento procura por um substituto no comando do batalhão. E nessa jornada, vai desenhando em sua narrativa a realidade da violência física, ideológica e psicológica a que é submetido. Mesmo não estando envolvido com todos os episódios do filme, como os exemplos de corrupção, de falhas no sistema, de abuso de poder dos comandantes que simplesmente não permitem que o trabalho seja feito pra proteger seu estado de conforto, é no Capitão Nascimento que encontramos voz pra gritar contra toda aquela insanidade. A tortura, assassinato e violência gratuita que comete são admitidos pelo espectador como parte de um ciclo instintivo de revolta quando não se suporta mais uma situação. Quando não se acha solução nenhuma, qualquer solução serve. Quando ninguém faz nada, o que ele faz é excitante, justo e direito seu. Capitão Nascimento é só mais um ídolo entre tantos que já vieram e ainda virão. E assim, continuamos nesse sistema de punição e não de combate ao crime. Numa busca individualista por qualquer forma de proteção, sustentando essa guerra animal em que o mais forte vai continuar vencendo (leia-se tráfico de drogas). E em que vez ou outra uma voz fala por nós. Não é à toa que até Luciano Huck mandou chamar o Capitão Nascimento.Tropa de Elite tem um roteiro excepcional, atuações inspiradas no limite do crível e uma direção acertada, mesmo que às vezes displicente demais para o meu gosto (meu gosto, deixo claro). E é por isso que esta bela obra, absolutamente passa a fazer parte do meu TOP 5 do recente cinema nacional.


PS: Pra concluir, deixando claro que não cobro isso do filme porque sua proposta é outra e muito mais original inclusive, repito o lugar-comum mais verdadeiro que já ouvi: a única solução para esse e muitos outros problemas do Brasil é EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO e EDUCAÇÃO.



Ficha Técnica:
Direção: José Padilha
Roteiro: Bráulio Mantovani,José Padilha,Rodrigo Pimentel
Elenco: Wagner Moura, Milhem Cortaz, Fernanda de Freitas, Caio Junqueira, André Ramiro, Maria Ribeiro, Fernanda Machado, Marcelo Escorel, Bruno Delia, Thelmo Fernandes
Sinopse: Rio de Janeiro, 1997. Nascimento, capitão da Tropa de Elite do Rio de Janeiro, é designado para chefiar uma das equipes que tem como missão “apaziguar” o Morro do Turano por um motivo que ele considera insensato. Mas ele tem que cumprir as ordens enquanto procura por um substituto. Sua mulher, Rosane, está no final da gravidez e todos os dias lhe pede para sair da linha de frente do Batalhão.