segunda-feira, 31 de agosto de 2009

INTRIGAS DE ESTADO

NOTA: 7,0
Título Original: State of play
Direção: Kevin Macdonald
Roteiro: Tony Gilroy, Matthew Michael Carnahan
ESPAÇO

Chegou atrasado. Esta é a sensação com este “Intrigas de Estado”, thriller político que ‘denuncia’ o monopólio, a corrupção e o comércio por trás da segurança nacional americana. O título do filme já foi mote de infindas produções para o cinema, ainda mais em tempos de responsabilidade social e ambiental. Então como mais um exemplar do gênero, não é um filme ruim, mas prejudicado pela pouca novidade e relevância que acredita ter já que o auge do clima conspiratório foi patenteado por Michael Moore em 2004, com Fahrenheit 11 de Setembro.
ESPAÇO
Com excesso de cortes rápidos e irregulares e muita câmera tremida, o diretor Kevin Macdonald (O último Rei da Escócia) sugere um constante tom de urgência e desconforto. Mas, como disse, é apenas uma sugestão já que o público nem sempre a acata. E é uma pena perceber que isto é fruto da direção nem sempre acertada que, apesar de contar com um bom roteiro em mãos, prejudica seus personagens com um ritmo supostamente frenético, mas que se torna arrastado com o pouco valor dado às relações humanas, cerne da história. Tratando justamente da relação entre amizade, carreira, mentiras e verdades, o filme não permite que nos aprofundemos nas convicções de nenhum personagem. Isso é grave, pois uma obra que ensaia sobre a importância da verdade não consegue o básico: fazer que nos importemos também.
ESPAÇO
VOCÊ NEM VAI PISCAR se acredita na teoria da conspiração.
ESPAÇO
É MELHOR VOCÊ DORMIR se já está cansado da teoria da conspiração.
ESPAÇO
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O CONTADOR DE HISTÓRIAS

NOTA: 7,5
Título Original: O Contador de Histórias
Direção: Luiz Villaça
Roteiro: José Roberto Torero, Maurício Arruda, Mariana Veríssimo, Luiz Villaça
ESPAÇO
Assisti a uma entrevista de Roberto Carlos Ramos no Jô Soares há alguns anos e me lembro que fiquei encantado com sua história de superação e, ao mesmo tempo, envergonhado pela minha intolerância com jovens criminosos. Recordei-me disso ao assistir este belo “O Contador de Histórias”, mas desta vez com outro sentimento: esperança.
ESPAÇO
Roberto é um interno da FEBEM declarado irrecuperável, que encontra na pedagoga francesa Margherit a abnegação e o amor incondicional que não fomos educados pra ter. Por isso, em algumas passagens, soam forçadas e folhetinescas as atitudes da personagem, se esta não fosse uma pessoa real.

Somos educados a condenar e corrigir os pontos fracos. Para estimular os pontos fortes é preciso um pouco de imaginação e talvez exija demais do ser humano, neste caso, espectador. É esta imaginação em potencial que faz de Roberto o contraponto entre a realidade de nosso sistema estúpido e a capacidade da mente humana que poucos se propõem a usar em favor do próximo. Margherit o fez e transformou mais uma provável vítima da violência num internacionalmente premiado pedagogo e contador de histórias. Esta característica justifica a escolha do roteiro e direção em abusarem das narrativas, num desnecessário excesso de texto que explica demais. Sim, Roberto é o contador de sua própria história. Mas se precisamos estimular a sociedade a imaginar mais, poderiam ter deixado um pouco para o próprio público concluir.
ESPAÇO

VOCÊ NEM VAI PISCAR se acredita no poder da imaginação
ESPAÇO
É MELHOR VOCÊ DORMIR se não aprecia filmes com narração
ESPAÇO
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ARRASTE-ME PARA O INFERNO

NOTA: 100...NOÇÃO
Título Original: Drag Me to Hell
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Sam Raimi, Ivan Raimi



O humor negro, dizem, é uma característica das pessoas inteligentes. E entendê-lo, também. Por isso, questionei a minha própria capacidade intelectual quando vi vários críticos que admiro elogiarem este “Arraste-me para o inferno” como um excelente exemplar do gênero. Bom, o filme é um amontoado de gags visuais e uma chuva de fluídos corpóreos na intenção de hora assustarem, hora fazerem rir e hora enojarem. Com exceção de bons sustos, frutos de um eficiente trabalho de câmera e efeitos sonoros ensurdecedores, Sam Raimi (da franquia O Homem-Aranha) que assina roteiro e direção do longa, não consegue nenhum de seus objetivos. É fácil perceber que o diretor se divertiu horrores (sem trocadilhos) misturando gêneros, ângulos e cortes. Em alguns momentos estamos vendo um filme assustador, em outros os clichês de uma comédia romântica, um pouco de cartoon network e algumas homenagens a clássicos do humor negro como “Os Fantasmas se divertem”. É aí que está a diferença. A obra de Tim Burton é um humor negro assumido, mas envolvido por uma atmosfera fantasiosa que torna aceitáveis e divertidas todas as loucuras que vemos na tela. Neste “Arraste-me para o inferno” não há construção de atmosfera mas uma salada de gêneros que se torna indigesta e não permite que o filme diga a que veio. E nem o que eu fui fazer naquela sala de cinema.
ESPAÇO
:) VOCÊ NEM VAI PISCAR se quiser tomar alguns sustos.
ESPAÇO
;( É MELHOR VOCÊ DORMIR se espera inteligência de um humor negro.
ESPAÇO
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

G.I.JOE: A ORIGEM DE COBRA

NOTA: 4,0
Título Original: G.I. Joe: Rise of Cobra
Direção: Stephen Sommers
Roteiro: Stuart Beattie, David Elliot, Paul Lovett

Numa recente visita ao Museu da Língua da Portuguesa, em São Paulo, li uma frase que dizia: “O cinema falado inventou o silêncio”. Peço desculpas pela irresponsabilidade de não ter anotado o autor, mas o pensamento resume exatamente o que filmes como “Transformers” e este seu parente próximo “G.I. Joe” representam: muito barulho, sem nada a dizer.
ESPAÇO
Para os brasileiros que cresceram na década de 80, G.I. Joe é o título original dos bonecos que por aqui ficaram conhecidos como “Comandos em Ação”. Só que as crianças daquela época cresceram e, ao que parece, roteiristas e diretor não se lembraram disso. O filme é um amontoado de efeitos visuais que em nenhum momento se preocupam em esconder sua origem computadorizada. E é só. Os personagens são caricaturas de outros tantos que estamos cansados de ver em filmes do gênero, unidimensionais e sem desenvolvimento. Não estou cobrando complexidade freudiana, mas o título “filme de ação” não impede a construção de uma boa história com bons personagens, porque no fim das contas, são estes dois fatores que conquistam o interesse do público. Pra que o público se importe com o que está acontecendo na tela, precisa se importar com os seres humanos envolvidos na história. Aqui, isso não acontece. Por isso, só assista G.I. Joe se gostar de poluição visual e sonora. Caso contrário, fique em casa, porque não vai dar nem pra cochilar com tanto barulho. (Num parêntese de desabafo, gostaria de dar dicas mais “instrutivas”, no entanto a já pouca oferta dos cinemas em Uberaba ainda se rende aos títulos mais mercenários e vazios das distribuidoras. Uma pena).
ESPAÇO
VOCÊ NEM VAI PISCAR se gosta de muito barulho e pouca conversa.
ESPAÇO
É MELHOR VOCÊ DORMIR se não gosta que abusem da sua inteligência.
ESPAÇO
Por Gustavo Mineiro
Publicitário e palpiteiro em cinema.

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domingo, 2 de agosto de 2009

A PROPOSTA

NOTA: 6,0
Título Original: Proposal, The
Direção: Anne Fletcher
Roteiro: Peter Chiarelli
Elenco: Sandra Bullock, Ryan Reynolds, Betty White

Sandra Bullock encontrou em “Miss Simpatia” o alter ego de sua carreira. Especializada em oferecer entretenimento leve, a atriz de 45 anos soube como poucos tornar-se uma presença sempre agradável e conquistar um preconceito às avessas, onde qualquer uma das obras em que participa seja previamente aceita pelo público. Isso se deve, claro, à personalidade cativante que a alçou ao posto de namoradinha da América, há alguns anos. Mas principalmente, às fórmulas fáceis e recheadas de clichês testados e aprovados pelo público que sempre vemos em seus filmes. Neste “A proposta” não é diferente. Ela é Margaret Tate, canadense e chefe ‘carrasca’ de uma editora de livros que obriga seu secretário Andrew (Ryan Reynolds) a fingir um casamento pra que ela consiga o visto de permanência nos Estados Unidos. Desse amor improvável nasce uma previsível atração que os levará a uma lição sobre o verdadeiro amor.
ESPAÇO
O destaque é Betty White que fazendo a avó de Andrew é o oráculo do casal, representando a experiência de vida que sabe o que é importante e ignora o orgulho dos jovens. Sim, é mais uma comédia romântica descartável, mas que diverte enquanto dura a pipoca.
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:) VOCÊ NEM VAI PISCAR se quiser ver os astros pelados.
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;( É MELHOR VOCÊ DORMIR se está cansado de comédias românticas descartáveis.
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Por Gustavo Mineiro
Publicitário e palpiteiro em cinema.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

NOTA: 7,0
Título Original: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Direção: David Yates
Roteiro: Steven Kloves

O fenômeno de J.K. Rowling está realmente chegando ao fim. É isso que prenuncia o 6º filme da série que funciona mais como um primeiro capítulo da sequência final.
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Deixando qualquer vestígio da fascinação mágica e em certos momentos infantil dos filmes anteriores, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” investe pesado no clima tenso e desesperado que toma conta de Hogwarts após o retorno confirmado do Lord Voldemort. E é neste ponto que a obra deixa a magia em segundo plano em favorecimento da angústia, as dúvidas e a humanidade de cada personagem. Isto se encaixa perfeitamente aos hormônios em ebulição dos adolescentes que começam a desvendar mais sobre o amor, o sexo e as responsabilidades. Sem tempo para explicar detalhes aos desavisados, o roteiro de Steven Kloves confia no conhecimento dos fãs e se permite construir com sutileza a relação entre a breve, porém sofrida experiência dos protagonistas com atitudes bem mais maduras em seus relacionamentos pessoais. Nesse ponto reside a genialidade de J.K. Rowling que unindo fuga da realidade e trabalho em equipe, respeitou e acompanhou o amadurecimento de seu público. Isto fica bem simbolizado quando Dumbledore diz a Harry: mais uma vez, tenho que exigir demais de você; e a impressão é que esta é uma mensagem para o espectador. É hora de abandonar a realidade alternativa que afagou uma legião de fãs desesperados por uma cartinha de Hogwarts e assumir que todos precisam crescer: Harry, Rony, Hermione, J.K. Rowling e nós.
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Mesmo com alguns excessos de sutilezas em cenas que pediam um pouco mais de drama (você vai saber de que momento estou falando), Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um belo filme com atuações maduras e entrosadas, trabalho técnico impecável, magnífica fotografia, mas que assim como em O Senhor dos Anéis, vai se encontrar, estou certo, no último capítulo. E a gente se vê lá.
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:) VOCÊ NEM VAI PISCAR se amadureceu junto com a série.
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;( É MELHOR VOCÊ DORMIR se esperava só mais brincadeiras com a varinha.
ESPAÇO

Por Gustavo Mineiro
Publicitário e palpiteiro em cinema.

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domingo, 12 de julho de 2009

A ERA DO GELO 3D

- NOTA: 8,0
Título Original: Ice Age: Dawn of the Dinosaurs
Direção e Roteiro: Carlos Saldanha

ESPAÇO
Sem dúvida, o trabalho de maior repercussão da Blue Sky Studios é a franquia “A Era do Gelo” (Quem se lembra de fiascos como “Robôs” ou “Horton e o mundo dos quem”?). Por isso, é natural e financeiramente saudável que o estúdio esgote todas as possibilidades de faturar em cima de Manny, Diego, Sid, Scrat e companhia, os mais carismáticos personagens da atual temporada de animações. Este carisma deu a confiança que o estúdio precisava para ousar e oferecer o capítulo mais divertido e criativo da série.
ESPAÇO
Scrat, o esquilo com transtorno obsessivo-compulsivo criado pelo brasileiro Carlos Saldanha, construiu desde o primeiro filme um capítulo a parte, tornando-se o cerne de diversão despretensiosa que cativou o público, enquanto os outros personagens ensaiavam temas como preconceito, diversidade e construção da amizade. Em “A Era do Gelo 3” até vemos algum drama: os mamutes Manny e Ellie vão ser pais, e por isso, o tigre Diego e a preguiça Sid sentem-se deslocados nesta nova família e decidem procurar a sua própria identidade animal. Mas pode esquecer: isso serve apenas como pretexto para que a aventura seja possível, levando-os a piadas divertidíssimas, várias referências pop, e um ritmo muito mais acelerado que nos dois primeiros filmes.
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A novidade é a doninha Buck que vive num mundo jurássico no subsolo, preservado da extinção e atua como uma guia na jornada e também na redescoberta da identidade de cada personagem, pois é disso que trata o roteiro. Ao final da projeção, saí contente e certo de que “A Era do Gelo” também construiu sua identidade como uma franquia conhecida e reconhecida.

PS: Assisti a uma cópia em 3D e a tecnologia acrescenta pouco ao filme. Portanto, vá assistir sem dor de cotovelo. Você vai gostar.
ESPAÇO
ESPAÇO
:) VOCÊ NEM VAI PISCAR se gosta de diversão despretensiosa.

;( VOCÊ SÓ VAI DORMIR se for um infeliz de mal com a vida.

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JEAN CHARLES

- NOTA: 7,5
Título Original: Jean Charles
Direção: Henrique Goldman
Roteiro: Henrique Goldman
Elenco: Vanessa Giácomo, Selton Mello, Sidney Magal

Diferenças conceituais marcaram a pré-produção de “Jean Charles”, a história do brasileiro que, confundido com um terrorista, foi assassinado por policiais ingleses no metrô de Londres. A BBC convidou Fernando Meireles para tocar um filme policial baseado no acontecido, enquanto o diretor e roteirista Henrique Goldman preferia explorar a identidade de Jean Charles e a comunidade brasileira existente em Londres. Meireles não aceitou a proposta e Goldman venceu a parada. O cinema é que perdeu um pouco.
ESPAÇO
Vindo de documentários, Goldman ficou no meio termo entre esta linguagem e a de longa-metragem. A opção em deixar os atores sem script, apenas indicando a situação e deixando que eles desenvolvessem a cena deixa o filme, nesse caso, sem vigor. Conquistar o realismo é essencial em obras como “Jean Charles”, no entanto, o ritmo é o que diferencia um filme da vida real. E o filme tem que ser mais interessante.
ESPAÇO
Por outro lado, o foco no micronúcleo de Jean e seus amigos explora a angústia individual e os “perrengues” por que passam os brasileiros no exterior. Acho isso extremamente válido. A nossa própria vizinhança assusta muito menos do que os tablóides internacionais fazem o mundo crer. E é essa abordagem que dá a Vanessa Giácomo a oportunidade de protagonizar o filme. O começo numa terra estranha, as primeiras dificuldades, as primeiras conquistas e o deslumbramento com as possibilidades que o mundo oferece são mais fortes que o medo. Ponto para Goldman que escolheu fazer um filme sobre coragem.


:) VOCÊ NEM VAI PISCAR se sonha em vencer no exterior.

;( É MELHOR DORMIR se você também sonha em vencer no exterior.
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quarta-feira, 1 de julho de 2009

A MULHER INVISÍVEL

- NOTA: 6,0
Cláudio Torres já demonstrava interesse em temas complexos em seu filme de estréia “Redentor” que, apesar de ousado, atirava para todos os lados e não dizia a que veio. Já em “A Mulher Invisível”, o roteirista/diretor se contentou com menos, bem menos, talvez pouco demais.
ESPAÇO
Apostando na fantasia, que está em alta no cinema nacional desde a franquia de sucesso “Se eu fosse você”, Torres conta a história de Pedro (Selton Melo), que em depressão após o pé na bunda que levou da esposa, começa a namorar Amanda (Piovani), que entende de futebol, não reclama de bagunça e aceita traição, ou seja, é perfeita. A ironia é que só ele consegue vê-la. A ideia é poética e não se apóia em explicações místicas como em “Se eu fosse você”. Pode ser encarada como uma representação metafórica da idealização do parceiro ou meramente justificada como um surto mental de um homem deprimido. Mas se situações absurdas são comuns a qualquer mente humana, faltou realidade para que A Mulher Invisível fosse um filme excelente.
ESPAÇO
Torres se entrega a situações artificiais e personagens unidimensais, e o próprio Selton Melo, por várias vezes brilhante no recente cinema nacional, abusa de sua certeza de que sabe fazer rir, mas como ator, não como personagem. Não conseguimos conhecer Pedro, que reage às situações como um excelente comediante, mas nunca como um ser humano realmente complexo. Pra piorar, Torres gasta tempo demais tentando nos fazer rir e pouco para elaborar a relação de amor que fecha a narrativa, soando extremamente superficial. Num filme que se propõe a elucubrar sobre a descoberta do amor próprio, é grave que apenas uma noite de sexo baste para que Pedro encontre o amor da sua vida. Ainda assim, vá conferir. Fernanda Torres, a melhor atriz de comédia do país se faz visível até como figurante.


INDICATO PARA quem você gosta do Selton Melo.

CONTRA-INDICADO PARA quem não gosta de forçadas de barra.

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O EXTERMINADOR DO FUTURO, A SALVAÇÃO

- NOTA: 7,5

A franquia de sucesso “O Exterminador do Futuro” nunca se preocupou em aprofundar suas reflexões sobre o impacto do mau uso tecnológico na vida humana. O que não é problema algum já que a série se assume como entretenimento. E dos bons (A filosofia fica por conta de Matrix). Só que a cada “I’ll be back” de Arnold Schwarzenegger, crescia a expectativa de um futuro devastador que até então só víamos nos pesadelos de Sarah Connor. E esta sequência “O Exterminador do Futuro: A Salvação” não cumpre a profecia.

Ação de tirar o fôlego, efeitos impressionantes e orçamento nas alturas: está tudo lá. Mas o filme que finalmente traria à tona o juízo final ensaiado nos seus antecessores, não justifica, não surpreende e tão pouco marca a série, somando-se ao também morno “O Exterminador do Futuro 3 – A Rebelião das Máquinas” como mais uma oportunidade de encher os bolsos dos produtores, enquanto o capítulo final não vem (A Warner já confirmou a produção do 5º filme). Li numa entrevista que McG, diretor do longa, quis realizar um filme que despertasse as mesmas sensações que ele havia experimentado em “O Exterminador do Futuro 2”, vencedor de 4 Oscars e que por sinal é excelente. Passou longe.

Esta sequência traz John Connor adulto (Christian Bale), liderando a resistência humana num mundo já destruído pelo domínio das máquinas (que parecem inclusive, ter escrito o roteiro). Sem tempo para apresentar os personagens, o filme não permite que criemos afeição por eles, o que é grave quando o único que conhecemos é Connor, num rosto diferente e interpretado de maneira mecânica por Christian Bale, que só se põe a esbravejar e fazer cara de mau. A grata surpresa é Sam Worthington (Marcus Wright), personagem que abre o longa sofrendo pena-de-morte no nosso tempo, e acordando anos depois no mundo pós-apocalipse. Com uma atuação interessante, Wright não consegue fazer milagre já que roteiro e direção ofendem a inteligência do espectador ao dar uma importância exagerada para uma “revelação” que se faz previsível desde os primeiros minutos. Wright cumpre a missão que antes era de Schwarzenegger: despertar a compaixão que nos diferencia das máquinas. Mas aí reside o problema. Numa tentativa de aprofundar o tema máquina x homem, o filme fica no raso de suas convicções com a frase tema: “o que nos diferencia é a força do coração”. A frase é uma verdade e fecharia bem o filme se ele realmente desenvolvesse essa idéia em suas duas horas de projeção e não a usasse apenas como um epitáfio.

A proposta de mostrar o que de máquina tem em nós e o que de humano pode ter numa máquina é interessante, mas fica a restrita a episódios isolados como na cena em que vemos uma tentativa de estupro entre humanos. Lotado de narrações para completar o que as ações não conseguiram traduzir, “O Exterminador do Futuro – A Salvação” serve aos fãs da série como um último gole que pede uma saideira. E por isso, torço para que na próxima vez, a série ganhe o fechamento devastador que merece.


INDICATO PARA: quem gosta de surpresas visuais.

CONTRA-INDICADO PARA: quem não gosta de roteiros previsíveis.


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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Nicolas Cage no elenco: um mau "Presságio"?

Felizmente não. Presságio, que estreou em Abril desse ano, traz todos os ingredientes de uma obra apocalíptica: suspense, medo, ação e moral. Só que dessa vez, não economizou em coragem. Dirigido com segurança por Alex Proyas (Cidade das Sombras), o filme começa com ares de terror clichê ao personificar o mistério em uma criança (O Iluminado, A Profecia), que num trabalho de colégio deveria fazer um desenho mostrando como imaginava o mundo dali a 50 anos. Aparentemente possuída, Lucinda só escreve números e quando impedida de continuar, arranha os números faltantes numa porta, até sangrar. Estes desenhos são guardados numa urna do tempo que meio século depois é aberta.
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A carta de Lucinda vai parar nas mãos de Caleb, filho do professor de astrofísica John Koestler (Cage). Pulando a fase do ceticismo, que já não funciona para o público em filmes desse tipo, John e sua curiosidade científica encontram rapidamente um significado para o amontoado de números: são datas, horários, latitudes, longitudes e número de vítimas das maiores tragédias da humanidade nas últimas décadas. E o mais assustador: três dessas datas ainda estão por vir.


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Sem a histeria heróica naturalmente americana, Cage acha o tom certo entre pavor e curiosidade, natural de qualquer ser humano consciente em uma situação como essa. E quando percebe que seu filho está diretamente envolvido no mistério, já que está sendo perseguido por estranhos homens de preto, a busca por explicações ganha fôlego de thriller que em nada vai desapontar os espectadores mais lineares. Digo isso, porque apesar de suas chocantes cenas de ação e suspense (o acidente de avião é algo incrível e aterrorizante), Presságio vai muito mais fundo na questão da fé, sem no entanto, tentar catequizar ninguém. E é isso que o torna diferente de tantos outros filmes que navegaram no raso de suas convicções.

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O pensamento humano é linear, ou seja, precisa de começo, meio e fim. E quando nos deparamos com algo além de nossa compreensão, o instinto de auto-preservação é automático. Questionamos, duvidamos e lutamos até o fim para protegermos a nós mesmos e a quem amamos. Em Presságio não é diferente. Durante duas horas, o raciocínio do filme e do protagonista acompanha o nosso, que só queremos entender o que está acontecendo. E só quando somos tomados pela frustração de que o fim será inevitável, é que nos abrimos para a redenção, como aquela que um dia experimentaremos em nossa última unção. Presságio é corajoso ao estabelecer esta nova relação entre fim e recomeço, (assim como o surreal Fonte da Vida), deixar o egocentrismo antropocêntrico de lado e abrir uma reflexão profunda sobre a nossa real importância. Uma cena em particular, representa bem esta intenção. Ao seqüestrar as crianças, os “homens de preto” deixam pedras no lugar, como uma moeda de troca e uma clara relação entre o nosso valor e o de qualquer outro elemento da natureza, mesmo os que para nós, pareçam sem vida. É com esse gostinho amargo que saímos do cinema, mas que, como qualquer remédio, vem com a missão de curar nosso individualismo e nos preparar para tempos difíceis que, eu creio, estão por vir. Até nesse momento, será preciso manter a Fé, e acreditar que (repetindo as palavras que Caleb diz para seu pai): Tudo vai ficar bem.
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PRESSÁGIO. Nota: 9,0
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TEM UMA FRASE QUE DIZ:

Aquele que tem ciência e arte tem também religião; o que não tem nenhuma delas que tenha religião!

Goethe (Escritor - 1832)

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terça-feira, 28 de abril de 2009

DEPOIS VOCÊ ASSISTE

SPOILER: SE NÃO GOSTA DE SABER NADA ANTES DE VER, NÃO LEIA.
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ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO – Nota: 9,0
Tenso e angustiante, este drama policial traz dois irmãos, Hank e Andy envoltos em problemas financeiros e que elaborando um plano simples, assaltar a joalheria da família, vêem suas vidas desmoronarem quando tudo dá errado e a mãe é assassinada durante o crime. O enredo que já despertaria interesse, ganha ares de grande obra no trato dado a cada personagem e na magnífica condução da narrativa de Sidney Lumet que explora na atuação, na composição dos quadros e nos ambientes, as personalidades e motivações de cada personagem, mostrando a mesma cena sob pontos de vistas diferentes e como aquela situação afeta de forma particular a cada um. Pode ficar certo: vai afetar você também.
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VIOLÊNCIA GRATUITA – Nota: 8,5
Muitos devem ter saído das salas de cinema com raiva. Mas o problema seria confundir este sentimento que não vem do desgosto pelo que acabamos de ver, mas da tortura psicológica pela qual acabamos de passar. Violência Gratuita é uma aula da capacidade de manipulação do Cinema ministrada de forma impecável por Michael Haneke, que refilma seu próprio Violência Gratuita de 1997. Dois jovens “psicopatas” invadem a casa de uma pacata família interpretada com extrema intensidade por Naomi Watts, Tim Roth e o surpreendente jovem Devon Gearhart, e dão início a uma sádica tortura física e psicológica sem motivações explícitas. O roteiro não se preocupa em explicar por que dois jovens cometem tal barbaridade, já que neste contexto, isso pouco importa. O objetivo de “Violência Gratuita” é jogar, provocar e manipular o espectador a seu bel-prazer em duas horas de violação empírica dos nossos sentidos. Este jogo fica claro quando a personagem de Naomi Watts consegue atirar em um dos torturadores, ao passo em que o outro, com um controle de DVD, consegue voltar a cena, e impedir nossa vingança. É desta forma que Violência Gratuita nos coloca em posição de reféns, quando a única ferramenta que poderíamos usar pra pará-los, o CONTROLE REMOTO é usada contra nós. Um filme para ser vivido, mesmo que você termine morto...de raiva.
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O DIA EM QUE A TERRA PAROU – Nota: 6,0
Não conheço o clássico de 1951. Mas nem preciso ver pra crer que era bem melhor que esta constrangedora refilmagem. A tese é boa. Extra-terrestre vem à Terra para dar uma última chance de nos explicarmos e mudarmos nosso perfil destrutivo, ou seremos extintos. Diferente de outras obras em que aliens querem, sabe-se lá porque, destruir a Terra, dessa vez, nós, os humanos é que somos o alvo, já que o planeta não pode correr o risco de morrer para preservar apenas uma espécie. E concordo. O problema está na superficialidade com que estas idéias são transmitidas. O alienígena Klaatu (Keanu Reeves) vem à terra com a missão do julgamento final. Mas é preso e interrogado pelas autoridades americanas que não permitem seu contato com os líderes mundiais na ONU, seu objetivo principal. Ele consegue fugir, ajudado pela cientista de Jennifer Connelly e encontra-se com outro alienígena, que já reside na Terra há décadas para avaliar nosso comportamento. Que claro, não é dos melhores. Somos condenados num diálogo risível, em que o espião manda nos destruir, mas revela-se apaixonado por nossa humanidade. E mais uma vez, o problema não está no conceito, mas na forma como é abordado, num texto pobre e pouco convincente. Esta mesma frivolidade acompanha todos os personagens durante a narrativa, que nunca parecem ter motivações reais para fazerem o que fazem, seguindo apenas o que está escrito. E desta mesma forma, nosso inquisidor muda de idéia, quando um acerto de contas familiar parece ser o suficiente para que ele enxergue “nosso outro lado”. Apinhado de pequenos erros que ofendem a nossa inteligência e certamente a inteligência extra-terrestre é que “O Dia em que terra parou” condenou...a si próprio.
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MONSTROS X ALIENÍGENAS – Nota: 6,0
Ah, tô sem tempo de escrever mais. É legalzinho.







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quinta-feira, 9 de abril de 2009

VALE MAIS QUE UM TROCADO

Algumas histórias fazem a gente rir. Com outras a gente chora. E em raras vezes, uma história faz a gente se envergonhar. Li essa matéria do Rodrigo Raitier no site da revista Escola.


Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações. Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

- Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

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Matéria no site original:
http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml
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sexta-feira, 27 de março de 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

NOTA: 9,5

Assisti ao filme há pelo menos três semanas. Mas não encontrava tempo pra argumentar à altura das críticas que em geral, estão bem duras. “Maniqueísta, oportunista, apelativo à estética da pobreza, esquemático, plágio de Cidade de Deus”...são algumas coisas que li mesmo entre meus críticos favoritos.

Inácio Araújo, crítico e blogueiro do UOL Cinema faz uma pergunta em seu blog: Por que as pessoas saem do cinema no meio do filme? E responde: “…a pessoa sai do cinema por duas razões: ou porque o repertório lhe parece muito batido ou porque ele se sente perdido diante do que vê. São espectadores diferentes. Fazendo uma comparação provavelmente ruim, eu disse que quem só ouve pagode, quando escuta Beethoven aquilo lhe parece inaudível. Do mesmo modo, quem escuta Beethoven o tempo todo não vê no pagode senão cacofonia.(…) Me parece que, hoje, o cinema tornou-se uma diversão de fim de semana. Quem vai, depois de apanhar de segunda a sexta, quer um pouco de sossego, quer encontrar coisas estabelecidas, espiões que espionam, vilões que fazem vilanias, etc. e tal. Então, quando a pessoa cai diante de um filme do Laurent Cantet, do Kiarostami, do Oliveira, do Godard, enfim.., ela não admite que, às vezes, é preciso um pouco de sacrifício para gostar de uma coisa. (…) Acrescente-se ainda: hoje a crítica está desmoralizada (vamos falar disso outro dia). Para que servem os críticos? Para nada: o que conta na distribuição do filme é a publicidade (sempre foi assim, mas antes havia certa convivência).

Ótima resposta. Mas e se invertermos esta flecha? Os quatro últimos vencedores do Oscar de Melhor Filme: Onde os fracos não tem vez, Os Infiltrados, Crash e Menina de Ouro exploravam a angústia e o questionamento individual dos personagens, provocando fortes e desgastantes viagens internas. Coincidência ou não, nenhum deles se rendeu a um final literalmente feliz. Listei estes filmes apenas como representantes “oscarizados” de uma tendência que exige mais dos espectadores e por isso, agrada à crítica. Agrada e a acostuma. Porque bastou que uma fábula onde tudo dá certo no final conquistasse o mundo para que toda sorte de opiniões vociferasse contra “Quem quer ser um milionário?”. A questão é que adorei o filme. Terminei a sessão com um sorriso estampado no rosto e o coração cheio de esperança. Parece piegas? E desde quando angústia, revolta e desconforto são sentimentos mais nobres? Sem dúvida são importantes, motivam a mudança de comportamento. Mas parecem condicionantes para que os críticos aceitem e indiquem um filme. Estão viciados. “Quem quer ser um milionário” causa uma revolução ao conquistar prêmios por onde passou e abrir as portas novamente para o final feliz.
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Jamal Malik (Dev Patel) tem 18 anos de idade, vem de uma família das favelas de Mumbai, Índia, e está prestes a experimentar um dos dias mais importantes de sua vida. Visto por toda a população indiana, Jamal está a apenas uma pergunta de conquistar o prêmio de 20 milhões de rupias numa espécie de versão indiana do Show do Milhão. No entanto, no auge do programa, a polícia o prende por suspeita de fraude.

Numa tentativa de provar a sua inocência, Jamal conta aos policiais sua difícil vida nas ruas, as aventuras com o seu irmão, e o seu seu amor perdido, Latika. As perguntas mais importantes são: "O que faz um rapaz sem interesse no dinheiro num concurso televisivo? E como ele sabe todas as respostas?"

Com as lições que a vida lhe deu. Num esquema às vezes cansativo em que cada pergunta do programa vem seguida de um flashback com a vida de Jamal, algum detalhe guardado na memória sempre lhe dá resposta. Parece forçado? Mas seria impossível não se lembrar da morte da mãe, a orfandade, o sectarismo religioso, a exploração de menores, o crime organizado, a distância do amor, e até um mergulho numa fossa nojenta (desculpe, mas eu prefiro enfrentar os outros problemas).

É esta relação de sofrimento x recompensa que torna o filme tão prazeroso. Contra cada experiência dolorosa, Jamal merece mais alguns milhares de rúpias, e mais uma chance de ficar com sua amada. É para ser visto por ela que ele está no programa. E na tentativa de convencer o policial, ele (o roteiro) tenta nos convencer de que aquilo é possível. Pra alguns pode não ser, mas basta um pouquinho de esforço, o mesmo que os críticos exigem para um diretor Kustuwriqweri da vida, e aceitaremos o improvável, já que na vida “real”, as experiências mais inesquecíveis são exatamente assim.

PS: (não leia se não viu o filme) A dramaturgia insiste em temas onde a felicidade não pode ser plena e sempre temos que fazer escolhas e sacrifícios. “Quem quer ser um milionário?” parecia caminhar justamente pra isso e confesso que se pra ficar com Latika, Jamal tivesse que perder o dinheiro, minha opinião teria sido bem diferente. Resultado? Ele ganha os milhões, ganha a garota e ainda nos deixa “felizes para sempre”. Pelo menos até um próximo Totsqwelkrjqewlk da vida.
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segunda-feira, 23 de março de 2009

EU TAMBÉM FUI UM GOONIE




NOTA: 8,0

O filme conquistou a simpatia unânime de quem era jovem nos anos 80 e graças às reprises na Sessão da Tarde, mantém um pouco desta juventude mais de 20 anos depois. Estou falando de “Os Goonies”, aventura do diretor Richard Donner, (16 Quadras) de 1985 que explorou de forma impecável a fórmula dos anos 80 para reconquistar o grande público às salas de cinema: histórias leves, divertidas, dinâmicas e cheias de estereótipos. Esta reconquista veio como resposta à sofisticação cada vez maior das mensagens cinematográficas pré-anos 80, marca de diretores como Scorcese, Kubrick e Copola. Isto acabou afastando parte do público dos cinemas, e coube à diretores como Steven Spielberg e George Lucas atraí-lo novamente com arrasa-quarteirões como Tubarão e Star Wars.

E Os Goonies (que a propósito foi baseado numa estória do Spielberg), mais do que um bom entretenimento, ilustra a catequese que o cinema buscava naquele momento. Criar demanda para um produto depende de tempo, e ninguém oferece mais tempo do que as crianças. O sucesso de Os Goonies está em sua habilidade de falar a um público novo e com os interesses ainda em formação. Enquanto as obras infantis atuais permitem-se uma profundidade e drama compatíveis com as expectativas cada vez mais precoces de nossas crianças, nós não queríamos compromisso, só diversão. Apesar do amparo dramático do filme, em que todos no bairro podem perder suas casas e as crianças descobrem um mapa do tesouro, tudo é contado sem maior importância, onde as situações mais perigosas se transformam em mais uma aventura a ser vivida e onde os fatos mais impossíveis são vistos com extrema naturalidade. A naturalidade que só uma criança tem, e que sempre que assisto aos Goonies de novo, renasce por um tempinho em mim.



MAS O QUE ELES FIZERAM COM O TESOURO?
Vi esse "Por onde anda" no EGO, e foi bom pra recordar.





Josh Brolin participou de filmes como ‘Milk’ e ‘W’, em que interpreta George W. Bush





Sean Astin é o mais famoso do grupo. Fez a trilogia de ‘O Senhor dos Anéis’




Corey Feldman é um ícone adolescente dos anos 80. Fez ‘Garotos Perdidos’ e ‘Sem licença para dirigir’




Jonathan Ke Quan virou mascote do Indiana Jones, mas depois tornou-se instrutor de artes marciais




Kerri Green, a mocinha do filme, já participou de séries como ‘Law and order’ e ‘ER’




Martha Plimpton ficou conhecida como a namorada de River Phoenix, morto por overdose nos anos 90



O ex-gordinho Jeff Cohen se tornou advogado de entretenimento


John Daniel Matuszak, o Sloth, morreu precocemente de infarto




Sua maquiagem, no filme, demorava cinco horas para ficar pronta
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domingo, 15 de março de 2009

AO PÓ VOLTAREMOS

O artista americano Christopher Locke transformou objetos "arcaicos" como cassetes e controles de videogame em fósseis modernos. Engraçado notar como a velocidade com que a tecnologia transforma nossas necessidades de consumo faz com que estes objetos se encaixem perfeitamente ao lado dos dinossauros.


A origem conceitual do trabalho foi criticar levemente o consumismo em uma explicação "arqueológica". "É triste, mas a maior parte destes objetos teve vida curta. Muitos atribuem esse curto ciclo de vida a predadores agressivos ou a uma evolução acelerada, mas isso não é necessariamente verdadeiro. Foi demonstrado recentemente que o fim de muitas dessas espécies foi conseqüência do consumismo e do desperdício no topo da cadeia alimentar", justifica Locke de forma nostálgica.


Algumas espécies extintas ou em vias de extinção:
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A fita cassete (Asportatio acroamatis)
desapareceu no fim dos anos 90







O controle Dual Shock do PlayStation (Ludustatarium temperosony) também virou fóssil nas mãos de Locke



Este fóssil mostra o mecanismo interno de um exemplar do iPod (Egosiliqua malusymphonicus), surgido em 2001







O disquete (Repondicium antiquopotacium )
pode ter desaparecido por causa do CD gravável, segundo Locke







Esta espécie de aparelho de som portátil (Bombus colaphus)
é um parente distante do walkman




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As obras estão à venda e podem ser vistas no site do artista:

http://heartlessmachine.com
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Mais no Terra Tecnologia:
http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3632976-EI4799,00-Artista+antecipa+os+fosseis+da+era+da+eletronica.html
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sábado, 14 de março de 2009

RED BULL TE DÁ ASAS




Todos já ouviram sobre os vampiros reais. São pessoas desequilibradas energicamente, que barram o recebimento das energias naturais e precisam encontrar outras fontes mais próximas, que nada mais são do que as outras pessoas, ou seja, você. Na verdade, quase todos nós, num momento ou outro de nossas vidas, quando nos encontramos em um estado de desequilíbrio, acabamos nos tornando vampiros de energia alheia.

Mas como identificar essas pessoas, ou estes vampiros? Em estudos feitos, foram identificados os seguintes tipos de vampiros (você provavelmente conhece mais de um):

B) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, já vem cobrando o porque não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas. O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar porque ele não liga ou aparece. Deixe-o confuso, não deixe ele retrucar e se retire rapidamente.

B) Vampiro Crítico:
É aquele que crítica a tudo e a todos, e o pior que é só Critica Negativa e Destrutiva. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá sue sistema para que a energia seja sugada. Diga "não " a suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração. O melhor é cair fora e cortar até todo o tipo de contato.

C) Vampiro Adulador:
é o famoso Puxa-saco. Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.

D) Vampiro Reclamador:
É aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida do governo, do tempo, etc. Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. È o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos. Melhor tática é deixa-lo falando sozinho.

E) Vampiro Inquiridor:
Sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo., e não dá tempo para que a vítima responda pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade ele não quer respostas e sim apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos. Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente., e procure se afastar assim que possível.

F) Vampiro Lamentoso:
São os lamentadores profissionais, que anos a fio choram sua desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. È sempre o coitado, a vítima. Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas . Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.

G) Vampiro Pegajoso:
Investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos . Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades. Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e portanto, vulnerável..Saia o mais rápido possivel . Invente uma desculpa e fuja rapidamente.

H) Vampiro Grilo-Falante:
A porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital. Para livrar-se , invente uma desculpa, levante-se e vá embora.

I) Vampiro Hipocondríaco:
Cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros , despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os por menores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois sente-se péssimo.

J) Vampiro Encrenqueiro:
Para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia.Não de campo para agressividade, procure manter a calma e corte laços com este vampiro.


PS: Proteja-se com alho. No pescoço? NÃO, COMENDO. E abra aquele sorriso largo quando o maldito chegar perto de você.

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Artigo publicado pela Terapeuta de Bioenergias Vera Caballero - Orientadora Metafísica e Profª de Bioenergiase Proteção Psíquica. Completo no site:
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http://www.mistico.com/p/artigos/vampirosenergia.html

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sexta-feira, 6 de março de 2009

ESTRÉIAS NO CINEMA EM 2009




WATCHMEN - 06 de março
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MONSTERS VS. ALIENS - 15 de maio

ANJOS E DEMÔNIOS - 15 de maio

AVATAR - 22 de maio

2012 - junho

EXTERMINADOR DO FUTURO 4 - 05 de junho

UP - 12 de junho

A ERA DO GELO 3 - 01 de julho

PRINCE OF PERSIA - 10 de julho

HAPPY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE - 17 de julho

THE FANTASTIC MR. FOX - 06 de novembro


E algumas estréias previstas para 2010




O HOMEM DE FERRO 2 - 30 de abril de 2010

SHREK 4 - 21 de maio de 2010

BOND 23 - 22 de julho de 2010

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA - A Viagem do Peregrino da Alvorada: 07 de maio de 2010

SIN CITY 2 - 28 de agosto de 2010
ESPAÇO
HARRY POTTER e as Relíquias da Morte Parte 1 - 19 de novembro de 2010

THE HOBBIT- 25 de dezembro de 2010
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